Solidariedade humana num "comboio de tempestades"

Sendo justo e necessário falar de solidariedade humana num comboio de tempestades, a imagem ganha profundidade porque já não é apenas a força da união, mas a própria humanidade a atravessar o caos, vagão a vagão, sem perder o sentido da pertença mútua que a todos une, congrega e compromete.

Por vezes, a vida retrocede e avança como um comboio que não pede licença. Atravessa vales sombrios, penetra na escuridão dos túneis para cortar montanhas de incerteza e mergulha em tempestades que parecem não ter fim. Cada um de nós é um passageiro, carregando histórias, medos e esperanças nos seus pequenos compartimentos interiores.

Mas, nos momentos em que o vento ameaça derrubar árvores centenárias e arrancar as janelas, o trovão faz tremer os carris e algo profundamente humano desperta. Quando as águas descontroladas tudo ameaçam submergir, a solidariedade surge como gestos simples e impregnados de heroicidade: mãos que se estendem e seguram, silêncios que acolhem e palavras que restituem a terra firme. Mesmo que o clima teime em não querer mudar, o amor traduzido em gestos de solidariedade suaviza a dor e muda certamente o modo de viajarmos neste comboio comum que continua rumo ao seu destino, mesmo que, dentro dele, alguém queira caminhar no sentido contrário. 

A tempestade continua lá fora e dentro do comboio existe sempre um abrigo no qual percebemos que a humanidade não se mede pela ausência de dificuldades, mas pela capacidade de criar luz, mesmo quando o céu se fecha, porque na terra ou na imensidão do mar, ninguém fica sozinho.

                                                                               ANP

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